Já não me lembro como fazer isso.
Houve uma vez harmonia e coesão. O que era um após várias tempestades espalhou-se em direções infinitas e transitáveis apenas por infinitivos e gerúndios.
O bailar poético escoou pelo ralo metonímico e a alma, o sentido de todas as coisas agora jaz no leito gramatical, estampado como um simples erro, e nada mais.
Fora dali, o céu de argumentos anuncia a tempestade monótona do lixo parafraseal de inócuos discursos e masturbações sobre a não-condição humana. O Homem em si é uma Babel completa.
Formado no seio de tua vaidade
Ancorado ao medo de tuas falhas
Desviado pelo curso da idade
Escoado em versos, esquecidos em calhas.
Faça uma elegia do passado presente
E arrume tuas obras em um silo
Chame a Inquisição, uma chama ardente
E livre-se deste marasmo, deste asilo
Apenas forneça a métrica mais que aquilo
E se não é nada disso,
Confesso. Já não me lembro como fazer isso.
O sol parece rir de mim.

outubro 20, 2010 às 11:11 pm
Parabens!!!!!!
Vc precisa sempre estar atualizando seu blog.
Gosto muito de ler o que voce escreve
Abs
Ilka